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quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Se libertando do consumismo

"Não se incomode muito em ter coisas novas, sejam roupas ou amizades. Venda suas roupas, conserve seus pensamentos."
- Henry David Thoreau

Não somos consumidores. Nós somos pessoas.

Não deveríamos viver para apoiar as corporações. E, no entanto, se você observar como funciona a sociedade atualmente, parece que estamos vivendo exatamente para isso. Vidas destinadas a ganhar dinheiro para sustentar um hábito de compra, ou uma grande casa e dois carros ou entretenimento de luxo.

Nós gastamos nossa infância - anos preciosos que passam muito rápido - nas escolas voltadas para nos dar a melhor chance de conseguir um emprego. Em seguida, nos formamos e fomos pressionados a ir para a faculdade (e, muitas vezes, contraindo um grande dívida no processo) para que possamos ter a melhor chance de conseguir um emprego bem remunerado.

Em seguida, nos matamos para conseguir um dos cobiçados, mas limitados, empregos bem remunerados. Os vencedores são recompensados ​​com casas grandes e SUVs e roupas de marca ​​(e muita dívida para manter tudo isso). Os perdedores estão presos em trabalhos que odeiam, comendo fast food e almejando estar no primeiro grupo.

De qualquer forma, aceitamos nosso rótulo de consumidores. Tudo é resolvido pelo consumo - quando estamos estressados, compramos. Quando queremos nos divertir, nós compramos o entretenimento. Nós compramos nossos alimentos em pacotes, nós consertamos a nossa falta de saúde através da compra de remédios, vitaminas e equipamentos de ginástica. Nós corrigimos nossa dívida comprando livros de finanças pessoais, depois fazemos mais um empréstimo.

Nossas vidas estão intrinsecamente conectadas aos nossos hábitos de compras. Somos escravos das corporações, presos em um trabalho que não gostamos para comprar coisas que não precisamos.

E se pudéssemos sair disso?


Qual é a alternativa?


O engraçado é que existem milhões de alternativas. Mas nós fomos tão treinados para acreditar que existe apenas um jeito, que mal podemos imaginar algo diferente.

O que seria a vida sem publicidade, shopping centers, compras on-line, trabalhando para grandes corporações, usando grandes logos em toda a nossa roupa, possuindo logotipos da Apple em todos os dispositivos que possuímos, assistindo filmes e programas de televisão desenvolvidos por grandes corporações e feitos para as massas?

Seria mais silencioso, talvez, com mais tempo livre, certamente. Sem ter que comprar tanto, trabalhamos menos. Que conceito revolucionário! E ainda assim: os desenvolvimentos na tecnologia não resultaram em menos trabalho, pelo contrário (uma leitura obrigatória: O Elogio ao Ócio de Bertrand Russell).

Não seria muito melhor se começássemos a focar mais nas pessoas em vez de coisas? Se pudéssemos realmente dar uma pausa para fazer uma refeição decente em fez de apenas abocanhar um hambúrguer? Não seria melhor sair mais ao ar livre? Trabalhar menos?

Isso tudo soa utópico, é claro, mas não é. É possível sim levar uma vida mais leve, mas a primeira coisa que devemos nos libertar é do consumismo.

Passos para a liberdade


Devemos primeiro nos tornar mais conscientes do que foi feito às nossas mentes. Quando assistimos um anúncio na TV, em um filme, na web, quais impulsos eles tentam criar na gente? Por que estamos assistindo o anúncio? Podemos evitá-lo?

Assista menos TV. Evite shopping centers. Bloqueie anúncios na web. Compre menos. Quando você tem necessidade de comprar, considere se é uma verdadeira necessidade ou apenas um desejo. Aprenda a se contentar com a vida tal como é, ao invés de querer comprar coisas para melhorá-la.

Se há algo que você realmente precisa, considere pegar emprestado (Você conhece o Tem Açúcar?) ou comprar usado. Se você comprar o novo, tente comprá-lo de uma pessoa real em vez de uma corporação.

Seja criativo. Encontre formas gratuitas de entretenimento. Participe de cooperativas. Se for realmente mudar de vida que tal você mesmo criar uma cooperativa de pessoas da sua área de atuação, é melhor que trabalhar para grandes empresas.

Aprenda a construir coisas, costurar e cozinhar. É simples e é tudo o que precisamos.

Evite os valores das corporações, do consumo e do desejo.

Torne-se livre. Você merece isso.

"Deve haver mais na vida do que tentar ter tudo!"
- Maurice Sendak

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Texto original: Breaking Free From Consumerist Chains

quarta-feira, 29 de junho de 2011

A Ilusão do Controle

"O Mestre deixa as coisas acontecerem.
Ele se adapta aos eventos
conforme eles vem.
Ele fica fora do caminho
e deixa que o Tao fale por si mesmo."
~Lao Tsé
 Quando você acha que controla alguma coisa, você está errado.


É surpreendente a quantidade de vezes que pensamos estar no controle da situação, quando na verdade não estamos. Estamos constantemente fazendo planos que nunca saem como imaginamos. "Se você quer fazer deus rir, faça um plano." disse algum sábio desconhecido.

Nós fomos condicionados a criar objetivos, e então criar ações para concretizá-lo... mas e quando esses objetivos falham? Quantas vezes tentamos controlar um futuro que é imprevisível?

Há cinco anos atrás você não fazia idéia de como o mundo estaria hoje - Obama como presidente, crise mundial, recessão, terremotos, tsunamis - por que acha que saberia o que está fazendo hoje?

Não dá para saber. Não prevemos o futuro e muito menos o controlamos, gostamos de pensar que temos o controle, mas isso nunca se tornará um fato. Mesmo assim preferimos continuar a viver com essa ilusão. Observamos esse caótico e complexo mundo e procuramos por um padrão para nos sentirmos confortáveis.

Nossas tentativas de controlar o mundo podem ser vistas através dos seguintes exemplos:
  • A tentativa de moldar a personalidade de nossos filhos, tentando esculpir seu próprio paradigma moral como se eles fossem uma escultura de argila. A complexidade humana nem ao menos pode ser compreendida em totalidade, muito menos controlada.
  • Contabilizando pequenas coisas da vida, como o tempo gasto em exercícios, o que comemos, quantas tarefas desempenhamos no dia, quanto tempo gastamos no trânsito e, até mesmo, mesmo quantos passos demos em nossa caminhada matinal.  Como se contabilizar coisas tivesse alguma influência diante das complexas variáveis do meio externo.
  • Tentando controlar os empregados, novamente, ignorando a complexidade humana, motivações e hábitos que não entendemos. Não conseguimos moldar filhos a nossa imagem e semelhança, quanto mais moldar adultos que estão apenas vendendo a força de trabalho para você.
  • Obsessão por planejamento, seja de projetos, viagens, dias, festas, como se todos os fatores externos pudessem ser previstos e manipulados por nossa mente.
Mas se deixamos essa ilusão de lado o que sobrará? Como podemos viver em meio ao caos?

Vamos usar o exemplo do peixe, ele nada na incontrolável imensidão do mar. O peixe, diferente de nós, não tem essa ilusão de que controla o oceano ou que controla os outros peixes. Ele nem ao menos tenta fazer isso, simplesmente nada, seja contra a correnteza, ou a favor dela. Ele come e foge de predadores, mas não tenta controlar nada.

Nós não somos melhores que esse peixe, mas nosso pensamento cria essa ilusão. Agora vamos deixar de lado essa ilusão e pensar como o peixe. Estamos no meio do caos, e não vamos tentar controlá-lo, vamos simplesmente perceber os acontecimentos e nos adaptar a eles.

Como podemos viver nossas vida dessa forma?

Viver se torna algo completamente diferente quando deixamos essa ilusão de lado, pois:

  • Deixamos de dar mais valor aos objetivos do que aos nossos sentimentos;
  • Paramos de fazer planos para dar lugar a ação;
  • Deixamos de tentar prever o futuro para viver o presente;
  • Paramos de tentar controlar as pessoas, para aceitá-las como são;
  • Aprendemos que nossos valores internos são mais importantes numa tomada de decisão, do que agir no interesses de objetivos;
  • Vivemos um dia de cada vez, com serenidade, guiados por nossos valores, em vez de ficar planejando o incontrolável futuro;
  • Aprendemos a aceitar o mundo como ele é, em vez de ficarmos chateados com ele, estressado por ele ser o que é, e não como gostaríamos que fosse;
  • E não temos motivos para ficarmos desapontados pelo modo que os eventos se desenrolam, visto que deixamos de criar expectativas, para aceitar como as coisas são.

Mas não veja isso como uma visão passiva ou fatalista da vida, é apenas uma visão divergente da qual estamos acostumados. Se você não puder aceitar esse modo de vida, OK. Muitas pessoas não suportariam viver assim, pois a ilusão que elas criam é mais forte que a realidade. Eles tendem a defende-la com unhas e dentes, mesmo quando percebem que tudo deu errado, que as expectativas foram quebradas e que essa ilusão só causa frustração.

Mas se você pode pelo menos imaginar um modo de vida sem essa ilusão, você já está no caminho de uma liberdade que nunca tinha imaginado.

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Nota do tradutor:

Fiz alterações no texto para se tornar menos repetitivo.

Post original: http://zenhabits.net/control/